A culpa está no olhar?

Por 11 de dezembro de 2017Summary

Já ouviu aquela frase que a culpa está no olhar? Trataremos neste post sobre o sentimento de culpa e o movimento dos olhos, a partir do artigo: Guilt in the eyes: Eye movement and physiological evidence for guiltinduced social avoidance, os autores Hongbo Yua, Yunyan Duan e Xiaolin Zhou fizeram 2 experimentos a fim de avaliar as consequências da culpa. Para tal, os participantes tiveram de participar de múltiplas atividades com 2 companheiros, em que a falha implicaria em um choque elétrico.

  • Experimento 1: Pediu-se ao participante para assistir um vídeo retratando as expressões de seu companheiro, enquanto o mesmo recebia estímulos de dor;
  • Experimento 2: Pediu-se ao participante para focar o olhar na região do olho ou do nariz do seu companheiro, em que se mensurou a condutância (propriedade que possui um condutor de permitir a passagem da corrente elétrica) da pele.

Neste post, trataremos somente do 1º experimento, vejamos então como ele foi feito:

Sequência dos procedimentos aplicados.

Sequência dos procedimentos aplicados. Fonte: Yu et al. (2017).

Cada participante interagiu com 2 companheiros em 4 rodadas. No começo da rodada um jogador era selecionado aleatoriamente para receber o estímulo de dor se um ou ambos falhassem na tarefa de estimar pontos, em que diferentes imagens apareciam e o jogador deveria estimar o número de pontos presentes na mesma. Em cada rodada o participante participava de 10 tentativas, se um dos jogadores cometesse 5 ou mais erros a rodada era considerada falha e o selecionado inicialmente tomaria o choque.

Para análise em si, os dados foram extraídos de intervalos de 65 segundos de vídeo, 3 áreas foram consideradas de interesse (AOI) , são elas: olhos, nariz e restante/outra, como se vê na parte (A) da Figura abaixo.

(A) Definição das áreas de interesse. (B) Duração média de fixação. (C) Percentual de tempo de permanência total. (D) Percentual de contagem de fixação. Para cada AOI em função da condição de culpa e controle.

(A) Definição das áreas de interesse. (B) Duração média de fixação. (C) Percentual de tempo de permanência total. (D) Percentual de contagem de fixação. Para cada AOI em função da condição de culpa e controle. Fonte: Yu et al. (2017).

Assim, utilizaram-se de 3 medidas, sendo elas:

  1. Duração média de fixação (Avg Fix Dur): quantidade média de tempo de cada fixação em uma AOI;
  2. Percentual de tempo de permanência total (%TD): soma das durações de todas em fixações feitas em uma AOI/duração total;
  3. Percentual de contagem de fixação (%Fix. Count): número de fixações detectadas em uma AOI/número de fixações.

Entendendo as medidas, vamos olhar os resultados:

Resultados das medidas analisadas, em que valores entre parênteses representam erro padrão e asterisco valores p inferior a 5%.

Resultados das medidas analisadas, em que valores entre parênteses representam erro padrão e asterisco representa valor p inferior a 5%. Fonte: Yu et al. (2017).

  • Olhos: Vendo o percentual de tempo de permanência total, observa-se que o jogador no papel de culpado olha significantemente menos para os olhos do companheiro em posição de controle, o mesmo acontece para a duração média de fixação;
  • Nariz: Para nariz tem-se o contrário, visto que o %TD é significantemente maior para os jogadores no papel de culpados;
  • Restante: Para região restante ou outra, não se encontrou nenhuma diferença significativa.

O artigo mostra então evidências que a culpa causa no transgressor uma redução no contato visual de forma que o mesmo olhe para região do nariz, ainda o material original traz mais detalhes bem como as metodologias e análises para o 2º experimento, sendo este post nada é que uma sumarização do artigo, de forma que recomendamos a leitura do original!

Mas resta uma pergunta, como eles calcularam estes resultados? Nesta análise em particular, utilizou-se da técnica de modelo lineares mistos, que permite a adição de efeitos aleatórios aos modelos de efeitos fixos, entendeu? Se não, fique tranquilo, entre em contato conosco para mais detalhes, talvez seja a técnica que possa resolver seu problema!

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Autor Vinícius Felix

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